Nem sempre finais de semana são fáceis. Reclamamos da falta de tempo, mas quando ele finalmente sobra, não sabemos para onde olhar — ou até sabemos, mas não queremos olhar.
Existe uma lâmpada interna em nós que sempre se acende quando precisamos pausar e olhar para algum sentimento ou sensação que surge.
Embora nem sempre escolhamos olhar para ela, sabemos que ela está acesa e isso incomoda. É como uma coceira que não passa. A gente tenta fugir um pouco com distrações: filmes, séries, bares, comidas… Mas a lâmpada continua brilhando forte, te convidando a olhar para suas emoções com cuidado. Essa lâmpada interna ilumina justamente aquilo que evitamos. E é aí que entra a autocompaixão.
Desenvolver autocompaixão é um dos presentes mais valiosos que você pode se dar, porque olhar para sentimentos difíceis fica mais fácil, quando você se nutre de muito amor.
Com autocompaixão, você escolhe se acolher, ao invés de julgar, se perdoar, ao invés de ser seu maior carrasco e busca entender melhor o incômodo dos dias difíceis, trazendo contexto e refletindo sobre todas as coisas que provavelmente contribuíram para um estado emotivo mais presente.
Você se reconhece como sua melhor amiga (o) e compreende que não é justo se cobrar estar sempre bem.
Ter compaixão consigo é acolher o seu Ser, quando ele fala. E a partir desse acolhimento, criar em si um espaço seguro para ser vulnerável, sem julgamentos ou dureza excessiva.
Muitas pessoas olham para esse caminho amoroso, compreensivo e confundem com moleza e excesso de permissividade. Mas acho que isso é só o reflexo do mundo como está, tentando te impor uma forma de viver a vida. Existe muito crescimento no amor, mais inclusive do que na dor da comparação e da culpa.
Se você não faz nem ideia de como começar a desenvolver sua autocompaixão, experimente pedir desculpas para você pela dureza dos últimos dias e literalmente se abraçar, levando sua mão esquerda no ombro direito e mão direita no ombro esquerdo. É um ótimo começo.
Nem sempre sabemos o que nos afeta e como nos afeta. Mas se nos sentimos afetados, por que não se permitir sentir aquela sensação desconfortável e indefinida?
No Yoga, o autoestudo (swadhyaya) nasce da pausa e do olhar atento para sensações indefinidas, que então começam a ganhar forma.
Muitas vezes tememos tanto as formas dessas sensações, que fugimos dessa análise a vida toda. Se conhecer de verdade pode ser desconfortável. Assumir nossas dores e amores dá trabalho, mas nos coloca em movimento — na direção do que realmente desejamos e de quem somos em nossa expressão mais autêntica.
A lótus tem uma simbologia muito bonita nesse contexto, já que é a flor que nasce de águas lamacentas. É a flor que surge da superação de nossas dificuldades, que se nutre do que há de mais complexo em nós para então emergir, representando a nossa transformação. A lótus significa, então, o resultado das várias análises desconfortáveis, do se permitir sentir e olhar para si com honestidade, paciência e amor, simbolizando tudo que superamos e também cultivamos em nossos processos.
Atividade: Se você deseja praticar ativamente swadhyaya hoje, escreva sobre como se sente – como foi sua semana, o que você gostaria de fazer hoje…Não estabeleça muitas regras, apenas escreva algo, se possível, no papel, longe do celular, ouvindo uma música que você gosta, sentindo um cheirinho bom – se tiver óleo essencial. 🤍


Amanda Maximino
Bióloga de formação pela UFMG, formada como professora de Vinyasa Hatha Yoga (Yoga Alliance E-RYT 200), especialista em Filosofia e Neurobiologia da Meditação e em Yoga na Gestação. Estudiosa-praticante, com aulas focadas no alívio de stress e ansiedade
